Vitória 29/09/2023
Depois de ter lido O Ar Que Ele Respira, surtado e chorado até pensar que eu poderia morrer de desidratação, eu decidi que iria ler tudo o que a Brittainy já publicou ou que viria a publicar um dia, ao mesmo tempo em que fiquei apreensiva com o próximo da série, porque sabia que nada do que ela fizesse conseguiria superar aquele primeiro volume, além do que, levando em consideração o meu histórico, o livro que vem logo depois de um favorito meu é sempre um mais ou menos, se não for ruim. No fim das contas, a minha intuição estava certa, esse aqui não ganhou o coraçãozinho de favorito, nem chegou perto das cinco estrelas, mas ainda assim a autora conseguiu fazer uma história de drama encantadora de doer o coração, então vou falar dos meus pontos positivos e negativos a respeito dessa leitura.
Assim que eu comecei a leitura e percebi que estávamos acompanhando os protagonistas bem jovenzinhos, ainda na escola, eu sabia que ia chorar até me acabar. Second chance talvez seja a minha trope favorita de todos os tempos, e só pela idade deles nos primeiros capítulos, eu sabia que algo iria acontecer pra que eles se separassem e se reencontrassem anos depois, e foi dito e feito. Porém, enquanto essa parte não chegou, foi maravilhoso vê-los enquanto amigos, o companheirismo dos dois, e como essa amizade vai pouco a pouco se transformando em algo mais. É verdadeiro demais a forma como assim que algo acontece com a Alyssa, seja bom ou ruim, ela sempre procura o Logan pra comemorar ou ser um ombro amigo pra chorar, ou vice-versa. A cena em que ele vai no sarau dela no lugar do pai dela quebrou o meu coração em mil pedacinhos. Quando eles finalmente se beijam, é o típico romance adolescente clichê de friends to lovers, e é lindo exatamente por isso. Todos esses pequenos momentos de felicidade só me faziam sofrer porque eu sabia que a merda tava chegando, e quando ela chegou eu desabei bonita.
Depois da passagem de tempo, achei importante como a autora deu algumas páginas pra que os leitores se acostumassem com os protagonistas mais velhos e eles próprios voltassem a conhecer um ao outro. Essa parte também é um tapa na cara porque, no início, a gente acompanha uma Alyssa sonhadora, que quer entrar na faculdade e se tornar uma grande musicista, e aqui a querida tá trabalhando de garçonete e pianista em bares pra conseguir pagar a manutenção da sua casa. É um tapa na cara porque isso acontece praticamente de uma página pra outra, mas também é um tapa na cara porque isso acontece na vida de quase toda pessoa adulta. A gente não se torna o indivíduo que a gente almejava ser na adolescência em quase 100% dos casos, e aqui a autora faz questão de esfregar isso na nossa cara. Sei que esse clichê de "fulano desapareceu e me ignorou pelos últimos 5 anos, mas eu ainda penso nele todos os dias" é meio irreal, mas eu amo do mesmo jeito. Ver que o sentimento ainda permanecia dentro dos dois, mesmo que de forma adormecida, e que ele vai voltando e se fortalecendo à medida com que eles convivem e se conhecem pela segunda vez foi lindo e sensível demais.
Logan é o meu garoto problema, e eu amo e protejo demais os meus garotos problemas. Temos questões e traumas do lado da Alyssa, afinal ninguém tem a vida perfeita, mas do lado dele as coisas são muito mais pesadas. O cara foi um babaca de primeira categoria ao ter abandonado a menina grávida só porque ele supôs que ela ia fazer um aborto? Foi, mas eu consegui perdoar ele em cada pequena atitude fofa que ele tinha com ela depois do retorno. Inclusive, a perda do bebê é algo que pesa demais nos dois, e que a autora trata com muita responsabilidade. Confesso que tive alguns problemas com o Logan por ele não ter um envolvimento constante e progressivo em relação à Alyssa. Em uma página ele está ali quase dizendo que a ama, e na seguinte, seja por algo relacionado à mãe, ao pai ou ao irmão, ele muda completamente e passa a ser rude com ela. Eu tenho um problema em lidar com pessoas com comportamentos semelhantes a esse na vida real, então quando a Alyssa ficava chateada, eu estava dez vezes mais puta que ela, mas com o tempo passei a ver que isso tinha mais a ver com os gatilhos que ele carregava dentro de si do que com ela.
Os hots são dolorosos como uma pedrada na cabeça, e eu juro que chorei em todos eles. Na verdade, eu acho que derramei mais lágrimas nesse volume do que no primeiro. Apesar de O Ar Que Ele Respira continuar sendo o meu grande favorito, esse consegue ser muito mais doloroso. Mas vamos falar agora dos meus secundários favoritos: Erika e Kellan. Desde o momento da revelação da doença do Kellan eu agarrei na mão desses dois e não soltei mais. Gostei de como a autora usou eles pra trazer à tona o fato de que casais que se amam e que já estão juntos há anos também tem problemas. A parte deles, como não poderia ser diferente, já que estamos falando de um livro escrito pela dona Brittainy, também é dolorosa demais. Eu queria bater na cara do Kellan até deixar ele deitado no asfalto, mesmo amando o querido e querendo guardar ele num potinho e proteger de tudo, na cena em que ele tira motivos do rabo pra rejeitar a Erika. Inclusive, ela tem uma das personalidades mais diferentes de todos os romances que já li, a mulher é completamente doida, mas é encantadora na mesma medida. A reconciliação deles me fez ficar quebrada em mil pedacinhos igual aos pratos da Erika só pra me reconstruir de novo, e eu vou só soltar aqui que não reclamaria se a autora decidisse escrever um livro ou pelo menos uma novela sobre como os dois se conheceram. No fim das contas, meu maior problema com essa história foi que eu realmente senti falta de mais páginas. Acho que a autora poderia ter gastado um pouquinho mais de tempo em alguns pontos pra que a narrativa se tornasse mais redondinha e completa, mas a falta disso também não tornou o livro ruim. O próximo da série é o favorito de muita gente e eu estou ansiosa demais pra ele, então acho que logo menos volto aqui pra falar sobre.